COM APOIO DA REDE ECUMÊNICA DA ÁGUA – REDA
Nós, participantes do Movimento “100 mil Jovens pela Água”, reconhecemos a necessidade e urgência de atuar em prol de uma sociedade respeitosa da diversidade, da relevância de todos os elementos da natureza, em especial a água, que é condição essencial para a Vida de todos os seres, humanos e além-humanos.
Os tempos atuais nos conclamam a revisar conhecimentos, atitudes e ações, de acordo com o que nos diz a Carta da Terra e o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global.
Como nos lembrou ultimamente o Papa Francisco, “não só atravessamos uma época de mudanças, mas uma mudança de época”. Observamos, por todo o planeta, o desaparecimento da vida natural, a exploração econômica e a visão materialista dos seres obedecendo a poderes globais predatórios. Simultaneamente, o planeta clama por uma visão de vida que traga valores de paz, de cooperação democrática e a compreensão e respeito à existência, em suas múltiplas dimensões.
Como partícipes deste movimento, conclamamos todas, todes e todos a reconhecer que:
Somos água que a Mãe-Terra providenciou para nós, há muitos bilhões de anos. Antes mesmo deste planeta ser o que é hoje, como inclusive dizem muitos livros sagrados, “O Espírito pairava sobre as águas”. A água é sagrada porque é FONTE DE VIDA e todas as formas de vida dela precisam.
Somos água, a começar pela água que nos envolveu desde a concepção no ventre materno e compõe 70% de nossos corpos, assim como 70% de toda superfície do Planeta. Portanto, a água é um BEM COMUM, não podendo ser subjugada, apropriada e controlada por interesses privados e econômicos.
Somos água, que possibilita o desenvolvimento da vida humana, de forma interligada a todos os seres da criação. Por isso, a Água é também um DIREITO HUMANO universal.
Podemos pagar pelos serviços públicos que trazem a água às nossas casas e outros espaços de vida, mas nunca pela água como tal. Privatizar a água é um gesto egoísta e assassino, uma vez que ela é um Bem Comum, direito de todas, todes e todos, e necessária à humanidade e demais habitantes da terra. Trata-se de reconhecer o valor da água em todo o seu significado, jamais somente como valor de propriedade ou de consumo. Precisamos reaprender o uso da água em todos os seus aspectos, inclusive no que se chama de “água virtual”, aquela utilizada para a oferta e manutenção das novas tecnologias, como a Inteligência Artificial. O seu consumo indireto esconde o uso excessivo de água no cotidiano pela sociedade.
Nosso discurso e nossa atuação ocorrem nos territórios, onde acontece o cotidiano da vida, mas também em âmbito global. Por isso, nós, do movimento 100 Mil Jovens pela Água, conclamamos como um dos assuntos urgentes a serem tratados na COP 30 a necessidade de “tirar a Água da Bolsa de Valores”.
Esta visão da água traz implícitos valores éticos, espirituais e sociais, com forte incidência na criação de uma nova cultura e um novo jeito de pensar-sentir-consumir. Neste sentido, defendemos que a educação socioambiental seja capaz de promover mudança de valores e de comportamentos individuais e sociais em relação às águas e a favor da ecologia integral, que favorece a interação harmoniosa entre todos os seres.
A partir dessas considerações, precisamos e queremos sair, definitivamente, da HidroAlienação em que estamos imersos e mover-nos em direção à Hidrosofia – a ‘Sabedoria da Água’ -, desenvolvendo a Hidroalfabetização que nos ajudará a rever nossa forma de ser individual e coletiva em relação à água, como parte de nossa formação em ecologia integral.
Para as juventudes, é essencial a educação socioambiental abrangente, da infância à velhice, individual e coletiva, incluindo legislação e políticas públicas de preservação e regeneração das águas, para fazer frente aos atuais processos de mudança necessários e urgentes.
Para tanto, precisamos que estejam na mesma roda de interesses, aspirações e ações: responsáveis pelo poder público em todos os níveis, cientistas, empresas e organizações da sociedade civil e, particularmente, os “guardiões das águas”, que são os povos originários e as comunidades tradicionais, como quilombolas, ribeirinhos e outras.
Queremos e convidamos todos a uma outra sociedade, que compreenda a urgência de uma educação permanente e continuada e do cuidado com as águas, do cuidado biossocioambiental para que as juventudes de hoje sejam, efetivamente, as lideranças eco-educadas de que precisa este Planeta Água.





